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Café Central, a nova sala de visitas do Terreiro do Paço

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Já há muito que se sabia que o espaço do Torreão Nascente do Terreiro do Paço tinha sido concessionado após concurso público. Depois de meses de silêncio, na última semana de novembro o Café Central abriu portas de forma muito discreta. “Do Porto, com amor, para o coração de Lisboa” poderia ser uma das descrições para a empresa vencedora do concurso, que agora fica com a gestão do espaço durante, pelo menos, 10 anos. A experiência acumulada na Invicta, em diversos espaços de restauração, e a vontade já várias vezes demonstrada de se instalar em Lisboa, levou esta entidade a conquistar o direito a fazer renascer o Torreão Nascente do Terreiro do Paço. “A abertura deste concurso resulta da pretensão em fazer nascer mais um espaço de referência que contribua para a dinamização e promoção de Lisboa como um destino turístico de excelência”, referia, em 2017, a Associação de Turismo de Lisboa, em comunicado.

Foi, por um feliz acaso, que a equipa do Boa Cama Boa Mesa deu de caras, pela primeira vez, no final de novembro, com o novo Café Central. Aberto há poucos dias e sem forma (legal) de se dar a conhecer aos milhares que passam pelo Terreiro do Paço, uma vez que nem o nome pode ser ostentado na fachada principal, foi o cair da noite que fez destacar a iluminação interior do novo espaço. Quem passa atarefado, nem imagina a beleza que o interior resguarda. Do lado de fora, apenas numa das laterais do edifício se pode vislumbrar um elefante que é o símbolo do Café Central. Uma pequena esplanada, na fachada virada para a imensa praça tenta captar as atenções. Mas, é no interior que tudo acontece.

“Uma sala histórica da cidade de Lisboa agora reinventada para reunir amigos com os melhores cocktails, os vinhos mais inesquecíveis e os deliciosos pratos que fazem homenagem aos sabores portugueses!” Assim, se apresenta o Café Central, sem que isso indicie a surpresa que é entrar no Torreão Nascente do Terreiro do Paço. Decorado por Paulo Lobo, todo o espaço reflete requinte e luxo, mas também ostenta diversas referências históricas – aqui, funcionou a Bolsa de Lisboa, até 1994 -, com destaque para a grande esfera armilar que cai do teto para pairar junto ao bar da entrada, que se apresenta como uma zona de boas-vindas. Ao fundo, o imenso bar. Mas, para lá chegar é preciso passar os olhos pelas diversas peças decorativas, pelas mesas e zonas de estar, onde os veludos e o tom verde se destacam. A sensação é que o Café Central é uma sala de visitas. Tanto pode beber um cocktail, como optar por uma refeição ligeira, promover um almoço de negócios ou um jantar romântico. Até pode ficar, apenas para ler um livro, sem pressas, com um chá ou um destilado.

O que mais impressiona, pela positiva, além de toda a beleza e requinte do espaço, mais ainda com o jogo de luzes, são os nichos elevados junto às janelas, ocupados com mesas que convidam a olhar, de uma forma discreta, pelas enormes janelas viradas para o Terreiro do Paço. Aqui, além da vista, consegue-se ter uma panorâmica para todo o interior do restaurante e perceber todo o movimento e beleza do espaço.

A cozinha (na verdade são três, que o Café Central também inclui a zona da antiga discoteca) está a cargo de Vitor Santos. Ainda em fase de afinações e adaptação aposta em pratos de raiz tradicional, com apresentação contemporânea. Como o restaurante funciona, sem interrupções, das 12h00 às 23h00, a carta foi preparada para acomodar todos os tipos de pedidos. Estranhe-se, ou não, a gerência quer, em primeiro lugar captar a atenção do público português para evitar a dependência do turismo que enche Lisboa. Dividida pelos vários tipos de oferta, a primeira ementa oferece desde saladas a sanduíches (prego, hambúrguer, etc.), passando por uma larga coleção de cocktails (não esquecer que o Café Central também é um bar!), “Coisas Doces”, para provar durante a tarde, com chá ou chocolate quente, e ainda uma secção “Para Picar”, onde sobressaem Pica-pau de novilho, com bolo do caco tostado (€14), Tempura de polvo, com maionese de tinta de choco e lima (€12), Croquetes de alheira DOP (€9) e Tábuas de queijos e enchidos (€19), que casam bem com as diversas opções de vinho a copo, que são semanalmente atualizadas.

Trajados a rigor, os funcionários espalham simpatia, ao mesmo tempo que tentam dar a conhecer os principais trunfos da ementa. Nas sopas, apresentam-se dois símbolos tradicionais revisitados: Caldo verde em novas texturas com chouriço regional da Beira Alta (€5) e Sopa de cação à moda de Elvas, com torricado de alho fumado (€6). Nas entradas, o destaque maior vai para a Empada de rabo de boi, com legumes em forma de esparguete e puré de cenoura e canela (€10). Não lhe fica atrás, a Seleção de cogumelos, marinados 24 horas, e cozinhados em pote de vidro com linguiça (€12). Outras opções são os já referidos Croquetes de alheira e as Amêijoas à Bulhão Pato (€18). Antes das carnes, a secção com maior empenho, a lista sugere seis pratos de peixe. Aconselham-se o Lombo de atum, com crocante de cebola frita (€24) e o Tentáculo de polvo à Lagareiro (€28). Para duas pessoas, o clássico Arroz de marisco da costa do Mediterrâneo (€52). Não falta, também, um Bacalhau, cozinhado a baixa temperatura, com crosta de azeitonas (€26).

Bife do lombo à Café Central (€27) e à Portuguesa (€29) são opções óbvias nesta casa, mas existem ainda sugestões com carnes maturadas, com cortes e tamanhos diversos. Na oferta terrena, a maior das surpresas, pela positiva, foi para o guloso Guisadinho de favas com entremeada cozinhada a baixa temperatura e crocante de chouriço (€18). Para duas pessoas pode também escolher Pá de cabrito assada à Portuguesa (€52). Como curiosidade final, ressalve-se a oferta de três pratos “À Brás”: de Bacalhau, de Espargos verdes e de Cogumelos (entre €18 e €19). As sobremesas seguem a mesma linha conceptual de toda a oferta gastronómica do Café Central (Terreiro do Paço, Ala Nascente 87-89, Lisboa. Tel. 926619775), com a base tradicional e clássica, apresentada de uma forma moderna. Memórias do Café Central (€9), ou seja, um pastel de nata desconstruído sobre mousse de café e crocante de canela, é o símbolo maior desta aventura, em pleno Terreiro do Paço.

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