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Restaurante O. Puro: À procura d’o ponto de pureza infinita

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Um jovem casal - Sebastião d’Alpuim, de nacionalidade portuguesa, e Maria del Carmen Bernaola, de origem peruana, ambos com 24 anos de idade - junta-se a um médico, Diogo Alpuim Costa, para compor o ramalhete de sócios de um novo restaurante, aberto há pouco mais de dois meses, em Alcochete, e que dá pelo nome de “O. Puro”.

O “o” de O. Puro é uma abreviação para a palavra “orgânico”. “É um jogo de palavras”, explica Sebastião Alpuim, mentor do projeto que partilha os destinos da cozinha orgânica deste restaurante com um filho da terra, Tiago Caetano, a quem procura transmitir tudo o que aprendeu.

“O produto orgânico é sempre mais fresco, mais saboroso, mais saudável e mais ecológico”, afirma Alpuim. “Como não fazer dele estrela dos pratos? Não faz sentido trabalhar de outra maneira e o preço nunca devia ser uma barreira à conservação do planeta”, reforça. O. Puro ainda não é 100% orgânico nem sustentável, mas toda a equipa procura reduzir a pegada ecológica em toda a respetiva atividade. Produz “dentro de casa” muitos dos ingredientes utilizados na cozinha ou servidos no restaurante e aqueles que não produz, tenta comprar localmente como é caso da flor de sal. Sebastião Alpuim compra a flor de sal em saca nas salinas de Alcochete, deslocando-se a pé porque resolveram não utilizar veículos motorizados para fazer as compras para o restaurante. 90% dos vegetais selecionados para O. Puro são portugueses, sempre biológicos, assim como as carnes, oriundas de vários pontos do país, nomeadamente o frango e o lombo do Alentejo e o porco bísaro de Castelo Branco.

A sazonalidade dita a ementa do restaurante e, de futuro, o casal pretende fazer alterações mensalmente. Maria del Carmen, sendo peruana, espera o verão para poder servir o típico ceviche do país de origem por considerar que “a temperatura não é a mais adequada para servir algo tão frio”. O único prato de peixe servido n’ O. Puro é de peixe do dia comprado no mercado local.

A ementa atual inclui quatro pratos principais, todos disponíveis numa versão vegan, a saber: o Tornedó do lombo fumado/Tornedó de seitan fumado, feito na “casa” (€20); o Frango recheado com castanhas/Seitan recheado com castanhas (€15); a Barriga de porco Bísaro/Naco de feijão e beterraba com Parmesão (€15) e o referido Peixe do dia com molho marítimo/Tofu grelhado com “pele” de alga marinha (€17). “A clientela assim o exigiu”, conta Alpuim. “Éramos muitas vezes vistos como um restaurante vegan e não quisemos desiludir o cliente”.

O facto de o enfoque do restaurante O. Puro ser a alimentação biológica não significa menor cuidado no serviço, que é prestado por Maria del Carmen de forma atenta e delicada. O grau de sofisticação na elaboração de uma carta restrita, mas rica em diversidade, com apontamentos de originalidade nas "Entradas", como é o caso de uma Showder Soup ou sopa do mar (€9) de gosto refinado e uma Terrina de queijo de cabra e batata (€8); os suportes selecionados para cada prato; o empratamento e alguns efeitos visuais tais como uma campânula, que descobre o Tornedó com bacon fumado, por exemplo, mas também as explicações e aconselhamento em torno dos pratos e dos vinhos, denotam que este casal já viu mundo. Ambos viveram na Costa Rica e no Reino Unido e foi depois de várias e muito diversas experiências na restauração que assumiram este projeto, pensado de acordo com o próprio estilo de vida que preconizam.

Toda a decoração do restaurante é de estilo depurado, predominando o branco e deixando sobressair os apontamentos a verde dos marcadores de mesa em forma de folha gigante e o jardim vertical com 57 tipos de plantas, sugerindo uma estreita ligação à natureza.

Bebidas biológicas e feitas em “casa”

A grande maioria das bebidas d’ O. Puro são caseiras, procurando gerar menos desperdícios em embalagens e alcançar sabores mais naturais. Da carta de bebidas frias não alcoólicas sobressaem as águas (marca Voss ou filtrada) aromatizadas com fruta da época e que podem ser pedidas com um gás subtil, também ele feito n’ O Puro. Os vinhos da carta, mais de 30 referências, são todos biológicos, na maioria servidos a copo e com duas medidas disponíveis, de 125ml ou de 250ml. Os preços começam em €3, tanto para o branco como para o tinto, ambos Vinha da Malhada (Ribatejo) e €4 para o rosé Medieval de Ourém (Ribatejo). Estão representadas na carta de vinhos as regiões do Alentejo, Dão, Douro e Ribatejo, todas com um número semelhante em termos de referências.

Os cafés e os chás surgem declinados em variantes menos comuns, mas 100% orgânicos e 100% cheios de sabor. É possível escolher um blend a gosto entre uma multiplicidade de ervas biológicas portuguesas da empresa Cantinho das Aromáticas e ver preparar a infusão (€3).

As sobremesas são quatro, tal qual como os pratos principais, incluindo Crème Brûlée de cappuccino e maçã (€5,25); Nozes, chocolate e caramelo (€6,50); Mil-folhas de dióspiro (€6,50) e Crumble de abóbora e especiarias (€5,25). O Mil-folhas de dióspiro destaca-se enquanto sobremesa pela frescura.

Sustentabilidade para além da ementa

O restaurante O. Puro procura trabalhar apenas com produtos com certificação europeia de produção orgânica. Mesmo os detergentes são 100% orgânicos e ecológicos, contribuindo para diminuir a poluição ambiental e os maus tratos animais porque, salienta Sebastião “é nos detalhes onde demonstramos mais amor”. Maria acentua a ideia de todos aqueles que estão envolvidos no projeto, referindo querer “proteger o planeta, que já está tão danificado, evitando o uso de produtos que o afetem porque se houvesse mais consciência por parte da indústria e comerciantes, seria mais um passo para as próximas gerações terem um melhor sítio para viver”.

Já para o sócio, Diogo Alpuim Costa, “a ideia de se associar a este projeto de comida orgânica surge devido ao talento puro do chefe Sebastião e à minha profissão e área de diferenciação que é a de Oncologia”. O médico acredita que “a comida saudável é cada vez mais uma opção para cada um de nós” e que “futuramente poderemos levar o conceito “O.” a outros pontos do território nacional”.

Para já, existe um único restaurante O. Puro (Rua do Diário de Notícias, 30, Alcochete, Tel. 214086945), que serve jantares, de segunda-feira a sábado, e almoços apenas aos sábados e domingos, algo que deverá mudar a partir do mês de fevereiro, passando a ser também possível almoçar durante a semana, pautando sempre a oferta pela procura da “pureza” dos alimentos.

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